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Um velho e sábio amigo me disse uma vez que todos, bem no fundo, buscam confiança. Isso me parece ser verdade. A confiança é extremamente atraente. Em geral, é o que está por trás de nosso respeito e admiração por muita gente. A indústria da publicidade usa muito esse recurso: ela nos leva a comprar itens, que provavelmente não precisamos, mostrando pessoas que parecem confiantes. Mais do que simplesmente atraente, tudo indica que a confiança é a base de nossa saúde emocional. Não tê-la é fonte de sofrimento que muitos de nós carregamos, às vezes por tempo demais. Então, o que é a confiança? Provavelmente, cada um tem sua ideia sobre o que ela é, mas raramente faz uma pausa para torná-la mais consciente. Nesse sentido, um bom exercício de conscientização é simplesmente pensar em duas ou três pessoas que você considera exemplos de confiança. Tente agora, antes de continuar a ler. Identifique três pessoas em uma folha de papel. Então pergunte a si mesmo: que características específicas elas têm que, para mim, representam a confiança? Depois de terminar esse exercício, você pode seguir em frente considerando a seguinte pergunta: essas pessoas realmente são exemplos de confiança? Esse é um exercício trabalhado na aula sobre Como Ser Mais Confiante da The School of Life. Ideias sobre confiança em nossa cultura vão do sublime ao ridículo. Como sabemos, a ampla maioria das pessoas parece muito confiante em uma situação, e, então, fica quase irreconhecível se seus apoios emocionais normais desaparecem, deixando a insegurança tomar conta. Quantas pessoas você conhece que são imunes a isso? Quanto mais você refletir a respeito, mais confuso vai ficar. Revirar essa confusão pode parecer algo como ser um garimpeiro emo ci o  nal em busca do “ouro verdadeiro”. Segundo Bryan Bonner, da Universidade de Utah, a correlação entre a aparente confiança de quem fala e o quanto ele entende sobre um determinado assunto, frequentemente, é muito pequena. Ele está envolvido em algumas pesquisas muito inovadoras sobre a influência em grupos e as tomadas efetivas de decisão. Ao fazer julgamentos sobre a área de conhecimento de alguém, acredita Bonner, tendemos a nos fiar demais em características como o aparente nível de confiança da pessoa, sua extroversão, gênero e/ou raça, e não o bastante no teor de suas contribuições. Em outras palavras, se eu simplesmente repetir meu ponto de vista insistentemente e o grupo de pessoas que me ouve não parar para considerar os motivos pelos quais eu realmente possa saber do que estou falando, provavelmente o convencerei – mesmo se não tiver ideia do que estou dizendo. Em seu novo livro sobre confiança (ainda sem tradução para o português), o psicólogo Tomas Chamorro-Premuzic diz: “Sentir-se bem não aumenta a probabilidade de ser bom”. Ele argumenta que, em média, a chance de as pessoas mais confiantes na equipe também serem as mais competentes é apenas 15% maior do que o acaso. Sua opinião é que, mesmo que você consiga desenvolver a confiança, não vale a pena fazer isso, porque ela não é um indicador de que você seja mais competente do que qualquer um.

 Confiança real
 Quando ficamos impressionados com a aparente confiança de alguém, o que realmente nos impressiona? É a confiança baseada em quanto se sabe? Ou na beleza? Ou isso vem de se identificar com uma determinada marca de produto de consumo? Uma pessoa confiante é alguém com um argumento convincente? Ou que anda com as pessoas cool? Ou que sempre é otimista e positiva? Fama e poder são bons indicadores de confiança? Você desenvolve confiança ao ficar o mais longe possível da ansiedade e do medo? Se a maioria de seus amigos e familiares pensa em você como um exemplo de confiança, mas você sabe, bem no fundo, que não é – isso é o melhor que extrairemos da vida? É isso mesmo? Algumas pessoas nascem com confiança, outras não – e se você é uma destas... que pena? Se seguir o que Bonner e Chamorro-Premuzic estão dizendo, você pode até estar se perguntando se vale a pena desenvolver a confiança! Posso me sentir bem quando sei tudo sobre um assunto ou quando caminho pela Avenida Paulista usando os fones de ouvido mais recentes ou quando as pessoas me elogiam – e posso conseguir manter esse sentimento por muito tempo –, mas isso realmente é confiança? Não importa quão confiante ou inseguro você se sinta, todos provavelmente se beneficiarão de fazer uma pausa de vez em quando para refletir sobre isso. Talvez seja o caso – por questões de entendimento – de fazermos uma distinção clara entre um tipo de confiança “superficial” ou “falsa” e o “ouro verdadeiro”. A socióloga e pesquisadora norte-americana Brené Brown parece achar que há algo mais na confiança do que simplesmente “se sentir bem”. Professora de pesquisa na Graduate College of Social Work da Universidade de Houston, Brown passou mais de dez anos pesquisando características na raiz do nosso bem-estar legítimo. Em sua obra, ela destaca a importância da autenticidade como uma das qualidades essenciais do bem-estar e da confiança. Bom, todos sabemos que convencer os outros de que você sabe do que está falando é relativamente fácil. Ser autêntico é outra questão – e talvez seja aí que possamos ter uma noção de uma forma mais verdadeira de confiança que vale cultivar. Ela escreve: “Autenticidade é uma coleção de escolhas que temos de fazer todo dia. Trata-se da escolha de aparecer e ser verdadeiro. A escolha de ser honesto. A escolha de deixar nosso ‘eu’ verdadeiro ser visto… Se você trocar sua autenticidade por segurança, poderá ter as seguintes sensações: ansiedade, depressão, distúrbios alimentares, vício, raiva, culpa, ressentimento e tristeza inexplicável”. Então, se todos nós, bem no fundo, estivermos buscando confiança, se pararmos um tempo para refletir um pouco mais, como estamos fazendo aqui, poderemos descobrir que nossa força interior está mais em aprender a ser mais honestos e verdadeiros com nós mesmos do que em viver o que a educadora americana Parker Palmer chama de uma “vida dividida”. Talvez, mesmo de pequenas formas – começando hoje –, possamos começar a viver de uma maneira que não contradiga algo dentro de nós que soe como verdadeiro e não possa continuar sendo evitado. Talvez seja como garimpeiros, em busca do ouro verdadeiro, que precisemos começar.

A The School of Life explora questões fundamentais da vida em torno de temas como trabalho, amor, sociedade, família, cultura e autoconhecimento. Foi fundada em Londres, em 2008, e chegou por aqui em 2013. Atualmente, há aulas regulares em São Paulo e no Rio. Para saber mais: theschooloflife.com/saopaulo.
Stephen Little é irlandês, físico, budista ordenado, palestrante e instrutor experiente do método de Atenção Plena (Mindfulness). É também diretor do Centro de Vivência em Atenção Plena (SP), e dá aulas regulares na The School of Life no Brasil sobre Como Ser Mais Confiante, Mindfulness, entre outras.

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